Entrevista |

ENTREVISTANDO IGOR CABÓ

 

 

O que já era um orgulho para nós, ficou ainda maior com a notícia que recebemos hoje. Igor Cabó, redator que começou na EBM, e atualmente  na Lew’Lara\TBWA, figurou na lista dos cinco jovens mais criativos do país, segundo a Folha de São Paulo. O cearense foi indicado por ninguém mais ninguém menos que Marco Versolato da DM9DDB.

O criativo gentilmente nos concedeu uma entrevista. Confira as dicas e conselhos de quem chegou lá. Parabéns, Cabó.

 

EBMQUINTTO: Quais requisitos para ser um bom redator?

Acho que o mercado exige cada vez mais dos criativos em geral. Não basta criar peças legais, muitas vezes a gente tem que fazer também o planejamento, ir lá apresentar, defender, aprovar, acompanhar produção, entender um pouco de direção, edição, tudo. As duplas hoje são praticamente “miniagências”. Por isso, acho que o mercado espera uma série de coisas dos redatores, tais como:

Vontade é a primeira coisa. O resto você aprende, vontade não. Nesse mercado dá para ver de cara quem está a fim de trabalhar com isso e quem não está. Já vi gente muito boa perder vaga para pessoas que tinham mais sangue nos olhos.

Outra coisa legal é tentar ao máximo fugir das fórmulas. Acho que todo mundo está um pouco cansado de anúncio com ideiazinha e logo no canto. Ou título com sacadinha. Acredito que a pertinência está cada vez mais valorizada. Não dá mais para ser só legal, tem que ser legal e pertinente.

Por último, acho que redator hoje é um pouco diretor de arte. E vice-versa. Por isso, redator tem que entender o mínimo de layout, ter bom gosto estético e pensar visualmente também. Foi-se o tempo em que a gente só escrevia.

 

 EBMQUINTTO: Igor, como você faz suas reciclagens de ideias e quais são suas referências?

Minhas referências dependem muito da época em que estou vivendo. Por exemplo: no início da carreira passava bastante tempo vendo os Anuários do CCSP, One Show, etc. Isso foi algo que ajudou a formar meu critério, me deu algum repertório e várias referências, tanto de pessoas como de trabalhos. Depois disso, fui gastando menos tempo com anuários e mais com filmes e livros. Hoje, acho que minhas referências vêm muito das pessoas que admiro, publicitários ou não. Sempre peço sugestões de livros, filmes, exposições, o que der.

 

EBMQUINTTO: Você tem acompanhado o mercado cearense?

Acompanho um pouco, sim. A maior parte é em conversas com os amigos que trabalham no mercado daí. Vez ou outra, leio os jornais ou acesso algum site do Ceará. Mas ainda assim, devido à correria, acabo acompanhando menos do que gostaria.

 

 EBMQUINTTO: Como você chegou a trabalhar em  São Paulo, como surgiu essa oportunidade?

Na verdade não surgiu, foi algo construído. Eu queria trabalhar onde estavam os maiores clientes, onde os filmes que passavam na TV eram feitos, essas coisas de quem está começando. Para não ficar só na vontade, estipulei um prazo: com 24 anos eu tinha que vir para SP (na época, eu tinha acabado de fazer 23). Passei os anos seguintes trabalhando e tentando fazer um portfólio que me desse alguma chance aqui. Adiei o máximo que pude, e só dois meses antes de completar 25 anos tive coragem de pedir demissão da EBM, colocar a pasta embaixo do braço e vir mostrar nas agências daqui, como um monte de gente fazia e faz até hoje. Dei a sorte de entrar na Leo Burnett e o resto foi acontecendo.

 

 EBMQUINTTO: Como foi a experiência de trabalhar nas grandes agências como Leo Burnett SP, DPZ, Y&R e atualmente na Lew ‘Lara/TBWA?

Acho que passar por várias agências é uma coisa boa, ainda mais no começo. Você tem a oportunidade de aprender várias formas de se fazer propaganda. Conhece processos, critérios e crenças diferentes. Isso ajuda na hora de você escolher que caminho quer seguir nesse mercado. Além do que, você acaba conhecendo muita gente boa. Pessoas que vão te ajudar de alguma forma, seja passando job, dando alguma direção, mostrando outro jeito de fazer propaganda. Acredito até que as pessoas com quem você trabalha muitas vezes são mais importantes do que a agência em que você trabalha.

 

EBMQUINTTO: Qual a dica que você dá a essa galera que deseja seguir a carreira de redator (a)?

Em vez de dicas, acho que seria melhor citar algumas coisas que funcionam para mim. Aí pode ser que funcionem também para outras pessoas. Ou não, como diria Caetano Veloso.

Seja inquieto. Não se acomode nunca, nem na hora de criar, nem numa agência, nem em um cargo, em nada. Tá fácil? Pois tem algo errado. Ter boas ideias geralmente não é fácil.

Aprenda sobre tudo o que puder. Tudo mesmo. Se te interessa, vá lá e aprenda. Muitos dos caras que a gente admira na propaganda estão sempre aprendendo coisas novas: fotografia, ilustração, cinema, culinária, qualquer coisa.

Por último e talvez o mais importante: tente ao máximo não tomar decisões baseadas no dinheiro. Em vez de escolher uma agência pela grana ou pelo cargo que estão oferecendo, procure trabalhar com pessoas que você realmente admira. O que esses caras vão ensinar vale mais. Acredite, dinheiro vem um dia.

Entrevista |

ENTREVISTANDO BILL QUEIROGA

A entrevista desta semana traz um exemplo de dedicação, competência e humildade chamado Marcos Queiroga, mais conhecido como Bill. Ele já foi Diretor de Arte da Quintto, e logo depois da EBM Quintto. Recentemente, alçou voos mais altos: rumo a São Paulo, onde trabalha como assistente de arte numa das agências mais premiadas do Brasil, a Fischer&Friends.

Bill nos falou sobre sua trajetória, referências, inspirações e deu algumas dicas para quem quer ingressar na profissão.

 

EBMQUINTTO: Fale-me um pouco de sua trajetória, de como chegou a ser um diretor de arte.

Tive influência direta de meus tios que são publicitários. Então, desde pequeno acompanhava de perto o trabalho deles e fui tomando gosto pela profissão. Mas até entrar numa agência e me dedicar totalmente, demorou um tempo. Fiz faculdade de economia, trabalhei em banco e depois numa financeira. Paralelamente a isso, fazia alguns trabalhos de design e fotografia. Nesse período, me via muito perdido com o que estava fazendo. Acabei largando tudo e voltando 100% para a publicidade. Fiz vestibular novamente e entrei no curso de comunicação. Comecei fazendo freelas durante um bom tempo, até que no começo de 2010, entrei na Acesso Comunicação. Fiquei lá por um ano e depois fui pra Quintto, que logo depois se transformou na EBM QUINTTO.

 

EBMQUINTTO: Conte-me um pouco como foi sua passagem pela Quintto junto com a transição para a EBM QUINTTO.

Foi uma fase de amadurecimento. Quando cheguei na Quintto, tinha apenas um ano de experiência em agência. Pra você imaginar, quando cheguei na Acesso, eu não sabia nem ligar um Mac. Então esse primeiro ano foi de total aprendizado. Cheguei na Quintto junto com meu dupla, Jones Sampaio, queríamos reafirmar nosso trabalho e a confiança depositada pelos sócios da agência. E foi maravilhoso. As pessoas, os projetos, o ambiente. Tudo isso favoreceu demais na caminhada.

 

EBMQUINTTO: Quais os desafios para um Diretor de Arte? Como buscar inspirações, exercitar a criatividade diariamente?

Acho que um bom DA tem que saber se dividir muito bem em duas funções: Criativo e Diretor de Arte. O lado criativo não se aprende, você treina, exercita, faz e refaz. É uma ferramenta que você aprimora ao longo de sua vida. Por outro lado, além de um grande criativo, a agência quer um ótimo Diretor de Arte. Conhecedor de artes, tipografia, formas, técnicas, fotografia, design, softwares. Esse vai ser o cara que vai resolver o dia a dia da agência com competência, e ganhar a confiança de todos. O equilíbrio dessas duas funções acredito ser o tempero ideal para ser um bom DA.

 

EBMQUINTTO: Como surgiu este desafio de trabalhar em São Paulo, em um mercado completamente diferente de Fortaleza?

Minha mudança para São Paulo teve um grande motivo e não foi a publicidade. Minha esposa mora aqui há cinco anos e começamos o nosso namoro a distância. Depois de dois anos, resolvi me mudar para cá para ficar perto dela. Nesse processo, fui me empolgando com a possibilidade de trabalhar num grande mercado e crescer profissionalmente. No fim, vi que todas as escolhas foram acertadas.

 

EBMQUINTTO: Como é se vê trabalhando no meio de grandes profissionais, com campanhas a nível nacional?

Costumo falar para o pessoal que as coisas não se diferem tanto. A questão é a proporção que as ações tomam. Todos aqueles problemas do dia a dia são exatamente iguais, só que o tamanho das contas torna a pressão proporcionalmente maior. Porém, o outro lado disso é que aqui, nas mesas ao lado, tem pessoas que foram e são suas referencias em propaganda. Pessoas premiadíssimas e respeitadas no mercado. Isso faz você crescer, seu critério vai aprimorando e seu trabalho amadurecendo.

 

EBMQUINTTO:  Qual a dica que você dá a esta moçada que está iniciando agora, ou pretende se tornar um Diretor de Arte, chegando até quem sabe a trabalhar em São Paulo?

A minha dica para quem quer ser um DA e principalmente trabalhar numa agência de propaganda é: Não deixe o mercado moldar você. Molde você o mercado. Eu digo isso porque é muito fácil você se acomodar num mercado onde as referências são velhas e estagnadas. Crie suas metas, seja uma esponja, absorva o melhor de cada profissional com quem você trabalhar. Escute muito mais do que fale. E esteja preparado para trabalhar muito. E para quem quer vir para São Paulo? Pegue todas as dicas anteriores, adicione uma dose cavalar de humildade, coloque a faca nos dentes, sangre os olhos e multiplique o trabalho por dois. Ficou assustado? Fique não, porque se tudo der certo, seus resultados serão multiplicados por vinte.

 

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